Análise de cenário – Apreender

Endhe Dias

“Fiz a primeira versão e mobilizei quinze alunos de diferentes faixas etárias para testá-la. Com os feedbacks, aperfeiçoei a solução.”

Quem tem paixão por educação e quer melhorar o segmento tem um grande espaço de oportunidades para criar soluções. Não é necessário ser expert. No entanto, não basta estar atento ao mercado e ser criativo para essas soluções se tornarem negócios de impacto em educação.

O estudo Empreendedores de impacto: as dores e as delícias de inovar em educação concluiu que é preciso também se apropriar de conhecimentos específicos de negócios (“em uma jornada empreendedora, há de se lembrar que antes de tudo estamos falando de um negócio”), possuir um objetivo bem claro de impacto (“o que dá sabor e sentido para a jornada e garante a resiliência dos empreendedores e de todos os apoios conquistados no meio do caminho”) e, principalmente, ter know-how profundo em educação.

Um negócio de impacto em educação pode surgir a partir de uma análise de cenário, em função de uma conjuntura: o empreendedor identifica uma área problemática e qual é o empecilho central para, então, desenvolver um plano de ação e transformar as dificuldades em oportunidade.

É exatamente esse o perfil do alagoano Endhe Elias, que encontrou nos índices negativos de educação em seu Estado uma motivação para criar um negócio. “Ao conversar com professores de Alagoas, identificamos que a Prova Brasil era um dos maiores problemas para os estudantes e professores. Logo que divulgaram o resultado do PISA (Programme for International Student Assessment ou Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), tivemos o diagnóstico: se Alagoas fosse um país, ficaria em último no ranking”.

Diante deste cenário, Elias criou a plataforma Meu Tutor, que ajuda alunos a estudar português e matemática para a avaliação por meio de conteúdos que usam a lógica dos games. Ao mesmo tempo em que dispõe de recursos e conteúdos para estudo no módulo Aluno, a solução criada pelo Meu Tutor busca agilizar a solução de problemas pela gestão pública através do módulo Gestão Pública ao oferecer relatórios sobre a performance das escolas da rede. Além disso, a ferramenta é composta de módulos Diretor e Professor, com recomendações para os profissionais.

Elias, que é mestre em Computação, envolveu-se com educação depois de anos de pesquisa em laboratório, ambiente no qual também formulou a plataforma. “Fiz a primeira versão e mobilizei quinze alunos de diferentes faixas etárias para testá-la. Com os feedbacks, aperfeiçoei a solução”, conta. Dessa maneira, construiu também os outros módulos do Meu Tutor.

Os primeiros resultados práticos da plataforma serão comprovados em novembro, depois da aplicação da Prova Brasil. A expectativa, no entanto, é positiva, baseada em experiência anterior com plataforma semelhante voltada ao Enem. Com essa solução, criada anteriormente pelo Meu Tutor, “ajudamos alguns alunos a passarem em primeiro lugar para o curso de Direito e vários outros foram aprovados em Medicina”, finaliza Elias.

Elias focou sua solução na área de avaliação educacional, uma das áreas promissoras para negócios de impacto em educação, segundo o estudo de oportunidades para startups, produzido pelo Inspirare e pela Potencia Ventures. A pesquisa mapeou e elencou as principais oportunidades no cenário de empreendedorismo de impacto em educação e também trouxe importantes pontos de atenção para quem deseja ou já está empreendendo em educação. Como principais necessidades do setor, a pesquisa apontou:

  • Programas de formação de professores
  • Métodos pedagógicos mais conectados com a realidade do aluno
  • Gestão educacional e administrativa eficientes
  • Infraestructura escolar
  • Acesso à educação infantil e técnica

O que é a Prova Brasil e o PISA?

A Prova Brasil é a avaliação nacional de rendimento escolar, que compõe o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e é aplicada a cada dois anos em alunos de 5º e 9º anos do ensino fundamental público.

O PISA é uma iniciativa internacional de avaliação comparada, aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos.