EduqMais – Apreender

Maúna Baldini

“Embora exista forte evidência de que a participação dos pais é crucial para o desenvolvimento dos filhos, existe um grande desafio de encontrar formas para se fazer isso."

Encontrar uma renomada instituição de ensino, com boas instalações, recursos e professores competentes, não é garantia de que uma criança poderá tirar o máximo proveito de sua vida escolar. A participação ativa dos pais no desenvolvimento dos filhos tem papel importante nesse processo. Assim, o EduqMais surgiu a partir da ideia de estreitar a ligação entre aluno, família e escola.

O serviço é uma plataforma de comunicação e engajamento das famílias com a vida escolar de seus filhos via SMS. Nas palavras de Maúna Baldini, gerente da MGov, criadora da iniciativa, trata-se de “um esforço inicial para aproximá-los da escola de seus filhos e obter, no futuro, uma sociedade mais engajada na educação”.

Na prática, o EduqMais funciona como uma ferramenta de comunicação para informar sobre eventos e atividades escolares e prover informações sobre os alunos aos pais. Como propósito, pretende conscientizar os pais da importância dessa aproximação e engajamento para o desenvolvimento de seus filhos.

Responsável pelo EduqMais, a MGov é uma plataforma mobile de design de políticas públicas e avaliação de impacto social. Criada em 2013, tem trabalhado com avaliação de impacto, monitoramento e engajamento através do celular desde 2013. Chamada pela renomada Fundação Lemann para desenvolver uma solução  que envolvesse o uso de aplicativos e plano de dados, derrotou vários outros projetos concorrentes e acabou sendo a vencedora do edital e, consequentemente, a empresa escolhida para pôr em prática o EduqMais, com o apoio da Fundação. “Fomos a empresa escolhida para desenvolver a solução porque confiamos no SMS como meio efetivo para alcançar todas as famílias brasileiras – 90% dos domicílios brasileiros têm pelo menos 1 telefone celular, mas 76,5% das linhas ativas ainda são pré-pagas, e o Brasil tem uma das telefonias mais caras do mundo”, explica Baldini.

Tendo vencido a concorrência, os desafios de sua implementação estavam na mesa. Segundo Maúna Baldini, o primeiro deles foi definir a etapa da Educação Básica em que o projeto inicial seria colocado. “Embora exista forte evidência de que a participação dos pais é crucial para o desenvolvimento dos filhos nos anos iniciais da educação formal, existe um grande desafio de encontrar as formas pelas quais os pais possam apoiar os filhos nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Motivados por esse desafio, escolhemos começar pelo 6º e 7º anos.”

Depois disso, os detalhes técnicos entraram em cena. Foi preciso adaptar a linguagem para que as informações coubessem em mensagens condensadas de apenas 160 caracteres, na linguagem correta para se comunicar com o público alvo e encontrar atividades que aproximassem os pais dos filhos de acordo com as faixas etárias.

Entre pais de alunos de 11 e 12 anos, o incentivo é para que eles se engajem em brincadeiras, atividades lúdicas que façam bem para as duas partes; já para os responsáveis por alunos de 13 e 14 anos, a recomendação gira em torno da comunicação, encorajando conversas sobre como os adolescentes estão se sentindo neste momento de suas vidas.

Se o projeto piloto contou com 47 escolas e 145 turmas de alunos matriculados no 6º e no 7º ano, a expectativa para o futuro vai muito além. Ainda em 2016, a MGOV trabalhará para alcançar pelo menos 30 mil famílias atendidas, desde a Primeira Infância e passando por todas as etapas da Educação Básica. Os planos para o futuro mais distante são ainda mais ambiciosos, com o objetivo de que o programa chegue a 50 milhões de famílias com filhos matriculados em escolas públicas.

O caminho para isso já começa a ser traçado com os aprendizados da primeira experiência, que, além da capacidade de ouvir atentamente às demandas de todos os envolvidos na educação da criança, mostrou aos organizadores da plataforma a importância de “ser ativo na proposição de iniciativas que dêem espaço para ouvir esses atores, iniciativas que estão sendo incorporadas como atividade permanente”.