Modelo de negócio – Apreender

Felipe Correia

“É preciso sempre buscar melhorias para o modelo de negócio".

Como transformar uma ideia em um modelo de negócio com sustentabilidade?

Não é fácil tornar uma ideia ou um projeto em um negócio, ou seja, que gere valor ao cliente e usuário e se sustente no longo prazo. Aliás, este é um dos maiores desafios na hora de abrir uma startup. Por isso, é preciso conhecer muito o mercado, os atores desse ecossistema e os principais desafios do público-alvo antes de empreender em educação. É importante lembrar que não estamos falando de um negócio tradicional; o desafio de negócios de impacto social pode ser ainda maior. Para além de se transformar em um negócio (que gere valor e lucro) estamos falando de potencial de impacto e escala.

Felipe Correia, idealizador da eduqa.me, startup que oferece uma plataforma de avaliação de habilidades e competências para a Educação Infantil, passou por este desafio no início de sua jornada. Há um ano, quando começou a testar seu primeiro modelo de negócios, ligou para mais de 100 escolas e agendou reuniões para apresentar e vender sua solução. “O caminho percorrido foi bem diferente do planejado. Percebi que a entrega nas escolas é muito difícil e que há um ciclo de compra muito longo. Busquei alternativas e, ao mesmo tempo, me aproximei cada vez mais do problema que tentamos resolver, que está centrado no professor”, conta.

Nesse novo modelo focado no professor, a startup identificou uma captação muito maior de usuários, com menos esforço e investimento. “É preciso sempre buscar melhorias para o modelo de negócios. Ainda não descobrimos uma alternativa que vai escalar e ter o potencial de beneficiar o maior número de professores e escolas, mas testamos novas respostas todos os dias”.

A busca pelo modelo de negócio

É importante planejar muito bem o modelo de negócio para que a solução da sua startup consiga impactar. A Mind Lab, startup israelense que cria tecnologias educacionais para desenvolvimento de habilidades e competências, tinha essa vontade quando chegou ao Brasil mas também tinha grandes desafios na concepção do modelo de negócio que conversasse com a realidade nacional.

“Em Israel, há mais de 20 anos existe um programa do governo em que o Estado mantém uma fundação que cuida de atividades e programas extracurriculares. Todas as escolas têm um orçamento específico para esse tipo de programa. No Brasil, não é possível aplicar o mesmo modelo de negócio. A gente precisava pensar num modelo diferente que fizesse sentido para nosso país”, conta Claudio Franco, diretor de inovação.

Eles queriam se tornar uma empresa de tecnologia educacional de impacto, então logo descartaram o modelo de organizações sem fins lucrativos pois entenderam que gastariam muita energia na captação de recursos ao invés de focar no desenvolvimento de tecnologias. “Hoje, temos um modelo em que 100% da arrecadação é reinvestida no próprio negócio. Isso se reverte para pesquisa e desenvolvimento de novos produtos como para aprimorar processos, ferramentas e sustentar o crescimento da empresa como organização”, conta Franco.