Parceiros privados – Apreender

Luciano Meira

"Ao invés de selecionarmos os estudantes por ordem de inscrição, passamos a convidar os jovens que mais se destacavam na plataforma”.

Uma organização oferece, a partir de subsídios e comum preço simbólico, cursos de capacitação para jovens de classe baixa do Recife. No início, os primeiros que se inscreviam tinham chance de se capacitar. Depois das primeiras turmas, percebeu-se que poucos estudantes concluíam o projeto ou por falta de interesse ou porque não atingiam resultados adequados nas avaliações. Então, criou-se, junto com uma startup local, uma solução para otimizar o investimento nesses jovens.

Essa é uma história real. A Joy Street, startup de impacto em educação do Recife, visualizou esse problema e desenvolveu, em parceria com o Porto Digital, uma plataforma gamificada para que a primeira parte dos cursos fosse realizada online. “Assim, ao invés de selecionarmos os estudantes por ordem de inscrição, passamos a convidar os jovens que mais se destacavam na plataforma”, conta Luciano Meira, pesquisador associado. Nesse caso, a startup fez uma parceria com uma Organização Social, mas a Joy Street realiza diversas parcerias com empresas privadas que precisam das soluções que a startup desenvolve.

Por exemplo: uma startup especializada em gamificação, como a Joy Street, pode fazer uma parceria com uma editora de conteúdo para criar uma plataforma com aquele conteúdo gamificado. “Nesse exemplo, a empresa tem a experiência de colocar o conteúdo em papel e uma grande força de vendas; nós, de gamificar esse material. Poderíamos fazer uma joint venture e criar um produto juntos”, explica Meira.

Resumidamente, a gamificação e o conteúdo se uniriam para aguçar nos alunos a Perseverança, “capacidade de perseguir uma meta, ser planejado, organizado, responsável, disciplinado para conquistar isso”; a Cooperação “capacidade de agir de modo cooperativo, altruísta, tolerante, cordial, solidário, de trabalhar em equipe”; a Extroversão, “capacidade de externalizar sentimentos e sensações, autoconfiança, sociabilidade, comunicação objetiva, de se impor/se colocar quando necessário”; o Autocontrole “capacidade de controlar os impulsos, a ansiedade, estresse e outros sentimentos negativos, autoestima”; o Protagonismo, “capacidade de acreditar que as suas conquistas dependem de seu esforço, não de sorte, acaso ou de outros fatores”; e a Curiosidade, “capacidade de estar aberto a novas experiências, sem medo de assumir riscos, ser original, criativo, inventivo”.

Seria uma parceria de sucesso, sem dúvidas. Mas não deve ser uma limitação à empresa associar-se sempre aos mesmos formatos de parceria. Como alerta a pesquisa Empreendedores de impacto: as dores e as delícias de empreender em educação “é preciso ter cuidado para não ser uma startup de um cliente só, sempre tentando encontrar um modelo de negócio que vai além do patrocínio de uma empresa”.

ESTUDOS E PESQUISAS

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