Investidores – Apreender

Luciano Meira

“A primeira coisa é não deixar que o investidor leve mais que 50% do seu negócio. Isso mantém a identidade e autonomia do tipo de inovação que você quer gerar".

O investidor é aquela pessoa que acredita de verdade em uma ideia e tem condições de realmente apoiar o idealizador com diversos tipos de recursos. Além de investimentos financeiros, ele compartilha com o empreendedor conhecimentos nas áreas de negócio, educação e impacto ou até mesmo conecta o empreendedor com a sua rede de contatos para que a solução cresça e impacte mais pessoas.

O investidor “é um sócio estratégico que traz muitas vezes mentoria, relacionamento e abertura comercial. Ele compartilha as dores e, por isso, precisa ser escolhido de acordo com um alinhamento de valores entre ambos os interessados”, conta o estudo Empreendedores de impacto: as dores e as delícias de empreender em educação.

O professor e pesquisador sênior do Grupo de Ensino e Pesquisa em Inovação (GEPI-FGV), Alexandre Pacheco da Silva, comentou sobre os aspectos jurídicos da criação de uma sociedade. Para ele, é preciso estar muito atento ao perfil dos potenciais sócios da sua startup.

A pesquisa destacou a importância de investidores em negócios de alto impacto terem consciência da jornada dos negócios sociais e, principalmente, dos prazos para retorno financeiro do investimento. Mesmo conhecidas como empresas de crescimento rápido, as startups ainda têm dificuldades de conseguir retornos financeiros ágeis. Além disso, o estudo compreendeu que “esse tipo de investidor ainda é raro no mercado brasileiro”.

Empreendedor, muito importante: aceitar investimento externo em seu empreendimento pode ser positivo para emplacar um negócio de impacto em educação. No entanto, é válido seguir algumas recomendações básicas antes de aceitar a presença de um investidor em seu projeto. Luciano Meira, da Joy Street, dá duas dicas de ouro:

–   “A primeira coisa é não deixar que o investidor leve mais que 50% do seu negócio. Isso mantém a identidade e autonomia do tipo de inovação que você quer gerar. É preciso ter calma nessa hora, escutar muito mais do que um ou dois, tentar sustentar seu fluxo de caixa até você conseguir construir soluções para manter sua autonomia e autoria”.

–   “Uma segunda é encontrar o tipo de investidor que não coloque só dinheiro. É preciso pessoas que entendam o negócio e possam participar de forma co-autoral, conectar você com redes. Dinheiro inteligente e conectado. É um cara que vai ficar de 3 a 5 anos com você e você vai construir uma relação de muita proximidade com ele”.

Os principais aspectos que devem ser levados em consideração na hora de escolher os sócios, segundo o professor Alexandre Pacheco da Silva, são:

“Existem perfis de sócios muitos diferentes. Existe o sócio permanente, o sócio-investidor e os funcionários que se tornam sócios. O sócio que vai permanecer na empresa é um parceiro que vai contribuir para o crescimento da empresa. Já o sócio-investidor tem um perfil diferente, sem a intenção de permanecer na empresa e com um ciclo definido de atuação. O sócio-funcionário, por sua vez, se torna sócio a medida em que recebe como gratificação a possibilidade de adquirir ações da startup.

O principal ponto que deve ser levado em conta na hora da escolha de sócios em negócios de impacto é o alinhamento de valores. Também é preciso ter muito claro o objetivo final de cada um para que a jornada seja construída com muita clareza e diálogo.

Os perfis complementares, não menos importantes, também devem ser levados em conta: se o empreendedor executa muito bem a criação do produto/serviço, mas não têm tantas habilidades com a área de vendas, o ideal seria encontrar um parceiro que se destacasse nessa área para que o negócio se torne mais potente.”

Confira alguns fundos de investimento que se interessam por negócios em educação: