Arkos – Apreender

Odair Artmann

"O sucesso do portal se dá por estimular o hábito da leitura e, sobretudo, a leitura por prazer, que, comprovadamente, é o fator que tem maior influência no sucesso da educação”

Lembra de quando você era criança e voltava para casa da escola pulando os pisos brancos da calçada e pisando apenas nos pretos? Era uma simples caminhada, mas que transformada em diversão por meio da criação de um pequeno jogo imaginário. E é mais ou menos essa a ideia por trás da gamificação das coisas. O projeto Arkos – Ler é Poder faz uso justamente desse conceito para incentivar a leitura em classes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

Inspirada pelo Antolin, uma das mais bem-sucedidas iniciativas educacionais da Europa, a plataforma traz um funcionamento simples, como explica Odair Artmann, um dos fundadores do Arkos. “O aluno ganha pontos, medalhas e outros prêmios virtuais para cada livro que lê. A teoria pedagógica e metodológica que está por trás desse êxito é a gamificação, que já vem colhendo bons resultados na educação. Aprimoramos essa ideia e a adaptamos para o Brasil. O sucesso do portal se dá por estimular o hábito da leitura e, sobretudo, a leitura por prazer, que, comprovadamente, é o fator que tem maior influência no sucesso da educação”, afirma.

À época da criação do Arkos, a pesquisa PISA, da OCDE, apontava o Brasil no 55º lugar no desempenho em leitura, entre 65 países pesquisados. “Diante desse cenário, ficamos instigados a mudar essa realidade”. Assim surgiu Arkos, “poder” em grego. Estamos convencidos de que educação e conhecimento representam poder, por isso escolhemos esse nome. Arkos ainda representa a ponte (o arco) entre o ensino tradicional e o digital”, conta Artmann.

Pensar em uma solução eficaz e factível e desenvolvê-la são dois desafios muito grandes. Mesmo após superá-los, o desenvolvedor ainda precisa lutar para colocá-lo em ação, em meio à tanta concorrência por espaço. Segundo o fundador, a maior disputa é a de conseguir apresentar a solução nesse ambiente. Para se tornar conhecido, a dica de Artmann é oferecer o serviço gratuitamente no início. Pelo conservadorismo do setor da Educação, é preciso ter paciência para difundir sua ideia. “É necessário interagir com muitos stakeholders para que sua ferramenta efetivamente entre nas salas de aula. O segredo está em ser persistente e ter muita paciência para que o número de usuários aumente paulatinamente. Além disso pudemos constatar que o sucesso da escalabilidade se dá pela propaganda boca-a-boca e sobretudo por usuários que estão muito satisfeitos”, afirma.

A simplicidade da implementação da ferramenta pelas escolas também é um atrativo do serviço. Basta a instituição de ensino fazer a inscrição, por meio de um professor, gestor ou secretário de educação. Esse agente então registra uma ou mais turmas no serviço, e a plataforma gera senhas de acesso aos alunos registrados. Depois desse rápido processo, Arkos já está pronto para ser utilizado pelas escolas.

Até o momento, o modelo de receita funciona da seguinte maneira: as instituições de ensino públicas têm inscrição gratuita, enquanto as particulares podem inscrever duas turmas sem custo algum nos primeiros dois meses, como teste. Depois disso, a cobrança se baseia em uma relação entre o número de alunos e turmas matriculadas na escola e também o preço da mensalidade da instituição, chegando então a um valor anual para a contratação do serviço. Segundo Artmann, por enquanto toda a receita do projeto baseia-se nessas assinaturas.

Acompanhando os impactos positivos da solução, o Arkos pôde constatar um aumento significativo no número de livros lidos pela garotada que usa a ferramenta. “Percebemos que, no período do Campeonato Arkos de Leitura, as crianças aumentam sua média de livros lidos mensalmente de um para cinco livros. Além disso é possível verificar com que grau de domínio (acerto) cada aluno responde os quizzes específicos a cada livro. É possível ainda ver que tipo de livro cada aluno já domina, se está de acordo com sua escolaridade ou se o aluno já está além das expectativas de sua turma. Tivemos grande satisfação em constatar que nossa escola pioneira no uso do Portal aumentou seu IDEB em Língua Portuguesa em 19 pontos ao longo de dois anos.”

Além desse tipo de acompanhamento, o próprio número de inscritos demonstra o sucesso da empreitada. Posto em teste em 2012 e lançado oficialmente em 2014, durante a Feira Educar, em São Paulo, o Arkos já conta com uma base de usuários de 125 mil alunos, mais de 24 mil ativos por dia. Com tamanho crescimento em tão pouco tempo, a projeção não poderia ser mais otimista: “Somos uma start up e buscamos atualmente escalabilidade. Até o momento temos 125.000 alunos registrados e queremos triplicar o número de usuários até meados de 2017”.